Domingo, 31 de Agosto de 2008

A Morena

 

 

Zombeando pelos corredores,

A morena limpa

Os fantasmas da vida dos que ali passam.

 

Pra frente, pra trás,

Pra frente, pra trás, e a vida nunca pára.

Nem as memórias ali permanecem.

 

Hoje aqui, amanhã ali

Mas o labor é sempre igual:

Limpar memórias desnecessárias.

 

Segura a vassoura

Como num namoro fantasioso.

Imagina-se no baile da vida,

Dançando ritmos quentes

Que palavreiam a sua própria história.

 

É a noite escura

Que chama a Lua com seu brilho ofuscante,

E que a morena compara a si:

Também ela chama o sonho

Para lhe trazer as memórias

Das ilusões da sua vida de outrora.

 

sinto-me: fixe!
publicado por Miss Pepper às 17:33
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Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

Chuva .... O Amor

Chuva

Imagem retirada da internet 

 

Acordei, lá fora a chuva de verão cai com força, sinto o cheiro da terra molhada, aquele cheiro inconfundível que tem o condão de me transportar. Sem querer estou a voar até outros sítios, deixo-me ir. As minhas recordações terminam sempre por me levar até ti, o cheiro a terra molhada transporta-me até aquele outro dia de verão em que chovia e nos conhecemos.


Chovia, muito, as ruas tinham-se convertido em rios intransponíveis , fiquei parado ao fundo das arcadas daquela praça, indeciso entre chegar atrasado ou chegar encharcado, fui ficando, as pessoas passavam apressadas tentando em vão fugir da chuva, de repente dei por uma figura ao meu lado, olhei, por detrás de um sorriso estavam uns enormes olhos de um negro intenso. Retribui o sorriso e fiquei pasmado a olhar.


-Está a chover - disseste.

-Sim, parece que sim - disse, enquanto continuava a olhar para a profundidade dos teus olhos negros.

-Parece que estamos condenados a ficar aqui

-... -Eu continuava vidrado nos teus olhos, não conseguia pensar.. e muito menos dizer qualquer coisa com sentido.

- E se fossemos tomar um café?, há ali um café do outro lado das arcadas, não precisamos de nos molhar.

-Claro, vamos - disse.


Fomos, por horas esqueci o meu mundo à medida que ia entrando no teu, falaste de ti, das tuas coisas, dos teus amigos, de tudo um pouco. Quando dei por mim, tinha passado a tarde, algures no meio daquela cidade havia pessoas a perguntar por mim, assuntos por tratar, negócios por arrumar, esqueci tudo, o brilho dos teus olhos negros apagou por completo o resto do meu mundo, naquele dia, e por muitos mais.


Quando finalmente nos despedimos, há muito que a chuva tinha parado, e eu tinha caído irremediavelmente na teia tecida pelo brilho dos teus olhos e o calor do teu sorriso. Trocamos contactos e ficámos de nos voltar a ver, em breve disseste, sim, muito em breve.


Nessa noite demorei muito tempo a adormecer, os teus olhos invadiam o meu espaço, os meus sonhos, as minhas ilusões, o meu mundo. No dia a seguir a primeira coisa que fiz foi ligar-te, ficaste feliz. De novo chovia, combinámos encontrar-nos naquela mesma esquina, era para almoçar, mas no fundo, eu já sabia que o encontro não era contigo, o meu encontro era com os meus sonhos, era um encontro com a vida.


Hoje como naquele dia Chove.. e não preciso de voar, sinto o teu calor ao meu lado, dormes serenamente,.. eu sorrio, adoro chuva!

 

Texto publicado no blog O que é o jantar

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publicado por Jorge Soares às 08:27
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