Quarta-feira, 30 de Abril de 2008

...

Sentada ao redor da fogueira penso:

 

Como são lindos os estivais tapetes campestres.

O chilrear alegre dos pássaros.

Sol abrasador que nos aquece e ilumina.

Foi o verão!

 

Folhas amarelas que caem

Com a chegada do Outono.

Nevoeiro Madrugador

Que esconde o sol prateado.

E uma leve brisa,

Que de mansinho balanceia os meus cabelos.

 

 Sentada ao redor da fogueira penso:

 

Como ficará a paisagem

Quando chegar o Inverno

Chuvas que caem sem cessar,

Árvores despidas,

Animais que fogem

Tentando sobreviver ao frio.

A serra coberta por um manto branco.

Tudo entenebrece!

 

E nessa altura,

Sentada ao redor da fogueira,

Anseio pelo florescer das árvores,

Pelo desabrochar das flores,

Lá ao longe as andorinhas regressam.

Aroma primaveril que se aproxima.

E com ele o meu novo despertar.

publicado por Sofia às 23:58
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Segunda-feira, 28 de Abril de 2008

Alma minha

 Imagem retirada da internet

 

 

 Onde andas alma minha, que de ti não sei?

Viajei sem ti, para mundos esquecidos,

deixei-te neste caminho, de trilhos perdidos.

Onde andas alma minha, para onde te levei?

Uma viagem iniciei, deixando-te esquecida,

neste caminho, escolhido no acaso da vida.

Onde andas alma minha, que te perdi?

Deste caminho que escolhi,ou que me escolheu,

calcando pedra a pedra, até saber quem sou eu.

No retorno do caminho, espero encontrar-te,

algures nesta vida, que vivemos com arte.

 

sinto-me: algures
música: Over The Hills And Far Away - Nightwish
publicado por Dona das Chaves às 23:41
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Quarta-feira, 23 de Abril de 2008

Sonhei ....

Sonhos

 

Sonhei….

 

Estava perdido, era um local ermo e desconhecido, eu andava às voltas e gritava o teu nome e algures ouvia a tua voz. Fui andando seguindo o som das tuas palavras até que cheguei a um local donde  havia um muro alto,  tentei rodear, em breve estava no ponto de partida apesar de sentir que tinha andado em linha recta. Pouco a pouco e com as minhas mãos nuas comecei a derrubar o muro, pedra a pedra. Por momentos conseguia ver os teus olhos negros por entre o vazio que deixava alguma pedra que caia.  Sei que falavas,  era a tua voz, mas não eram as tuas palavras…

 

Cada vez que conseguia vislumbrar o brilho do negro dos teus olhos, como por arte de magia, o muro voltava à sua posição inicial, e eu ouvia a tua voz, sentia a tua presença… mas não eram as tua palavras… e voltava a derrubar o muro, pedra a pedra.

 

Agora estavas sentada em cima do muro, eu implorava que descesses, que falasses comigo, tu sorrias, os teus olhos brilhavam, mas não era o teu brilho, eu conseguia sentir a tua presença, mas não eras tu, e estavas ali tão próxima que sentia que se estendesse a mão te conseguia tocar, e ao mesmo tempo tão longe que simplesmente desistia de levantar a mão porque achava que nunca conseguiria lá chegar.

 

Agora o muro é um fosso escuro e profundo mas estreito o suficiente para te poder ver  claramente , estás sentada do outro lado, sorridente e radiante, olhas para mim e finalmente vejo que não és tu, é só uma imagem de aquilo que me queres mostrar, não és tu porque na realidade falta a tua alma que decidiste esconder, longe, muito longe de mim e dos meus sentimentos.  E eu não consigo derribar o muro que esconde o teu coração, e não consigo saltar o fosso que constróis lentamente dia a dia e que me separa do teu olhar, do brilho dos teus olhos negros, da luz do teu sorriso.

 

Sonhei ….

Jorge Soares

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publicado por Jorge Soares às 11:56
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Sábado, 19 de Abril de 2008

Saudades de mim

Saudade

Devia ser uma sexta à tarde porque estávamos sentados na relva, discutíamos de tudo, desde politica à musica de moda, por vezes cantávamos , havia sempre vários litros de sumo de maracujá e/ou laranja, e rum, vodka, anis.... eram as nossas sextas-feiras, unia-nos a amizade, muita cumplicidade e o gosto pela convivência. O local era La Tierra de Nadie , um enorme relvado com arvores e palmeiras, na orla da Faculdade de Ciências, entre a avenida e este jardim havia um campo de beisbol .

Era uma sexta Feira como outra qualquer, estava El Loco Miguel, mi hermano El Gordito Hector , El Arabe Kamil , Manolo el gallego, La loca Elsa , la gordita Peggy, Dulce.. . Na avenida, como tantas outras vezes havia distúrbios , um grupo de encapuçados saiu sorrateiramente da universidade e estava a queimar um autocarro. Nós bebíamos e sorriamos, nada do que se passava lá fora era connosco, e aquilo era tão habitual.... chegou a policia e perseguiu os encapuçados que procuraram refugio na universidade donde a policia não entrava...coisas de autonomias universitárias.

De repente sentimos um assobio, alguém sorria, a Peggy dava uma das suas gargalhadas..não deve ter ouvido, os restantes ficamos em silêncio, olhamos uns para os outros incrédulos , sem reacção , a Peggy perguntou "Que paso ?, que les pasa ?"

Aquela bala tinha passado pelo meio do grupo, talvez uns centímetros à direita ou à esquerda e eu, ou um dos outros, não voltaríamos a sorrir, e a falar de politica, ou a cantar as ultimas musicas de moda.

Às vezes tenho saudades de mim, saudades das pessoas de quem gosto, saudades dos amigos, por vezes tenho pressa em dizer as coisas, em fazer ver o quanto gosto de alguém, porque a sorte não bate duas vezes à mesma porta e depois...depois é tarde.

Jorge
PS:Continua dedicado a ti :-)
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publicado por Jorge Soares às 00:38
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Terça-feira, 15 de Abril de 2008

A carta

Envelope


Eu gosto do Algarve fora de época e fora da confusão, naquele ano fomos acampar no mês de Abril para o parque de campismo da Praia da Luz, já lá vão uns dez anos, já não me lembro de muitos detalhes, sei que duas ou três noites terminei a dormir no chão, tínhamos um colchão de ar que teimava em esvaziar-se e foi uma complicação para o reparar... que nos bares da praia da luz não éramos lá muito bem vindos, falávamos português e os empregados olhavam de lado, um dia entramos num bar em Lagos e a empregada não falava português, só inglês! Fomos ao cinema... mas não me lembro do filme.

 

O parque de campismo era só para nós, que me lembre na maior parte dos dias éramos nós e algum casal de holandeses. Foi uma semana muito calma e relaxante.

 

Na semana seguinte voltei ao trabalho, na Quarta-feira a minha mãe ligou-me para o escritório, já era estranho ela estar-me a ligar para lá, mas pelo tom de voz, imaginei que algo estranho se estava a passar, a conversa foi mais ou menos assim:

 

-Jorge, tu conheces alguém no Algarve?

-Que eu saiba não, mas estive lá a semana passada.

-Estiveste donde?

-Estive na zona de Lagos.

-.....

-Então, o que é que se passa?

-Há... é que chegou uma carta para ti...e o código postal é de Lagos!

-Uma carta para mim?... humm , se calhar deixei lá alguma coisa...

 

Comecei a achar a historia absurda, mesmo que tivesse deixado lá alguma coisa, como é que eles iriam enviar uma carta para uma aldeia de Oliveira de Azeméis se eu moro em Setúbal?

 

-Sabes, é uma carta de uma mulher.... -diz a minha mãe.

-De uma mulher?, mas eu não dei a morada de aí a ninguém!

 

Aqui começou a fazer-se luz sobre o motivo da minha mãe me ligar para o emprego e não para casa...

 

Naquela altura no lugar donde moram os meus pais, as ruas não tinha nomes, e os carteiros entregavam as cartas pelos nomes das pessoas, e acreditem ou não, há mais dois Jorge Soares.......

 

-Isso de certeza que não é para mim, já perguntou se não é para nenhum dos outros fulanos que tem o meu nome?

-Já perguntei... e eles dizem que não conhecem ninguém no Algarve... e como tu lá estiveste... que é que eu faço?

-Bom, se não é para eles..... abra!

 

Ela abriu, e aqui a coisa piorou, era um postal daqueles mais que sugerentes e com palavras ainda piores, lá me explicou o que dizia.... fiquei sem palavras..... imaginei que alguém me estaria a fazer uma brincadeira ...a minha mãe não achou piada nenhuma e nem quero imaginar o que ficou a pensar. Passei o resto do dia a matutar quem sabia que eu tinha estado no Algarve e sabia a morada dos meus pais..e a verdade é que não consegui lembrar-me de ninguém.

 

Cheguei a casa e contei à P.  que levou aquilo na brincadeira, a esta altura eu já não estava a achar piada, depois de muita conversa com a minha mãe, a carta foi para a lareira, a P. diz que não me volta a deixar ir à casa de banho do campismo...era os únicos momentos em que não estávamos juntos.

 

Passados uns 15 dias, um dos meus xarás apareceu de mansinho a perguntar pela carta. Cada vez que nos lembramos disto, a P.goza comigo e diz que quando vamos acampar, eu não posso ir sozinho lado nenhum... para depois não chegarem cartas.

 

Jorge

PS:Imagem retirada da internet..
PS2:texto publicado a inicialmente no blog O que é o jantar
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publicado por Jorge Soares às 21:43
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Domingo, 13 de Abril de 2008

O quebra cabeças de arame, ou, a vida dificil dos portadores de HIV



Algures no ano 1992 ou 93, estava eu na loja da Valentim de Carvalho no Rossio... acho que já não existe, e acercou-se a mim um jovem, teria mais ou menos a minha idade, tinha um alicate e arame de cobre na mão, enquanto falava ia moldando o arame. Disse o nome, e que era portador do HIV, falou-me do vírus, e das dificuldades que sentia, ele e os portadores da mesma doença, para poder viver na nossa sociedade.


No fim da nossa conversa, ele tinha moldado um quebra-cabeças de arame, e disse-me que era para mim, não custava nada, mas que agradecia se eu o pudesse ajudar com algum dinheiro, não era fácil a vida para ele, não conseguia arranjar emprego.


Eu era um estudante deslocado em Lisboa e sem muitas posses, ofereci-lhe 500 Escudos, e algumas palavras, para a média eu era uma pessoa informada sobre o assunto, disse-lhe isso e algumas outras coisas, lembro-me de no fim lhe ter apertado a mão e senti que ele ficou surpreendido, comovido, percebi que ele não estava à espera de aquele aperto de mão.


Ora isto foi em 1992 ou 93, na altura não existia a informação que existe agora, não sei o que terá acontecido com aquele ser humano, como não sei o que aconteceu com o quebra-cabeças de arame, de vez em quando lembro-me dele. Estamos em 2007, passou muito tempo, vivemos na era da informação, do google , todos deveríamos saber que é o HIV, infelizmente não é assim.


 

Este texto foi escrito em Novembro de 2007 e foi lido no programa Historia de vida da RDP, no dia 8 de março de 2008


Jorge Soares

PS:Imagem retirada da Internet.

publicado por Jorge Soares às 20:41
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Ilusões



Talvez a vida seja só uma ilusão...


e as estrelas não sejam mais que pontos brilhantes

num manto pintado de negro, ....


e as palavras não sejam mais que sussurros

do vento que passa triste,.....


e os sonhos sejam só historias que passam por nós

 e não deixam mais que um aroma fresco a vida, ......


e talvez o amor não seja mais que uma flor

que nasceu um dia e nunca se apagará no meu coração.


 

15-02-1990

Jorge

PS:Imagem retirada da internet

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publicado por Jorge Soares às 11:54
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